“Luíses – Solrealismo Maranhense” de Lucian Rosa e Éguas Coletivo Audiovisual, 2013

1273820_420648794706539_1109878330_o

“Qual o plural de Luís?”

Solrealista

Há alguns meses venho escutar de amigos o boato de que um grupo de cineastas e realizadores estariam realizando um longa-metragem em São Luís. Nas definições de quem fazia parte da equipe de realização da obra, a frase “o filme é louco” era a que vinha mais à tona. O filme em questão, chama-se “Luíses – Solrealismo Maranhense” e integrou a programação do 36º Festival Guarnicê, manifestação cinematográfica literalmente à deriva.

A notícia da realização do “Luíses” me encheu de curiosidade e de esperança, pois em São Luís, cidade que escolhi para morar há 7 anos não existe cinema: existe uma miragem dele. Em São Luís há duas distribuidoras, sim, a Petrini Filmes, da qual orgulhosamente faço parte e a Lume Filmes, parceira de vários projetos; temos Lucas Sá, realizador jovem, mas que está percorrendo uma intensa carreira em festivais nacionais e internacionais com seus curtas “O Membro Decaído” e “No Interior Da Minha Mãe”; temos Arturo Sabóia, vencedor de Gramado esse ano com o belo “Acalanto”, apresentado no Festival de Cannes; Frederico Machado, que atualmente está no Festival do Rio apresentado o longa “O Exercício Do Caos” e finalizando “O Signo Das Tetas”; Marcos Ponts, que está na pré-produção do longa “Ei, Você Conhece Alexander Guaracy?”. O cenário, neste 2013 está efervescente, porém falta uma coisa: um edital de cinema por parte do poder público.

Assim que começa “Luíses – Solrealismo Maranhense”: botando na real a questão tanto política quanto cultural na cidade de São Luís, afirmando que o Maranhão não possui um edital de cinema e que o filme foi produzido com R$ 1.200,00 arrecadados através de ajudas e doações. O diretor Lucian Rosa e a produtora Keyci Martins afirmam que “Luíses” é UM FILME DE TODOS: seja em entrevistas que nos créditos iniciais do filme. Na exibição, o ludovicense (ou o Luís) poderá se enxergar em todos os personagens que vagam pela tela: uma criança recém-nascida e doente, um vagabundo atropelado, uma francesa que grita “Je t’aime, São Luís do Maranhão” ao som do tambor de crioula.

Além da poética de certas imagens, como a alucinação de uma dançarina nua vista por um cheirador de cola, ou as do “ator louco” Lauande Aires (interprete para ficar de olho, que estará presente em “O Signo Das Tetas”), existe em “Luíses” uma denúncia política que é amplificada pelas imagens e sons de “Maranhão ’66” de Glauber Rocha  e que é investigada através de entrevistas a jornalistas, políticos, moradores de palafitas: “Todos são Luíses”. Denunciando a miséria da comunidade Apaco, das palafitas da Ilhinha, bem ao lado do cartão postal de São Luís (e da área mais nobre da cidade), e o silêncio das administrações públicas, “Luíses” não tem papas na língua: fala aquilo que todos os Luíses sabem e pensam sobre o poder. José Sarney e família, João Castelo, Edivaldo Holanda, senadores, deputados, vereadores, a Companhia Vale Do Rio Doce: ninguém sai intocado por “Luíses”.

“Luíses” é mais que um filme: é um grito poderoso. É cinema de guerrilha, anárquico e livre. É nosso.

1385429_422624321175653_1465654627_n

About these ads

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s